• Rita Carvalho de Matos

Abaixo a gaveta da tralha!

A gaveta da tralha é sinónimo de caos, e quase todas as casas a têm, mesmo que não seja em forma de gaveta. Arrisco também dizer que o que foi parar à gaveta da tralha tem uma importância reduzida para si e em mais de 80% não será usada até acabar, um dia bem mais tarde, no lixo. Para quem tem alguma curiosidade em experimentar esta tendência da harmonia de vida através da organização da sua casa, este pode ser um bom primeiro desafio. Ao ser superado, vai poder sentir o prazer de escolher e arrumar tudo num lugar específico, deixando de ter coisas pequenas espalhadas à espera dum dia de fúria.

Depois de identificar a dita gaveta, ou equivalente, lá de casa, siga estas simples instruções:


1. Vire tudo em cima da mesa

Vai ser a primeira sensação de alívio e êxtase. Proteja a mesa com uma toalha que seja fácil de lavar porque é provável que se suje neste processo. Quando, finalmente, conseguimos ter noção de toda a tralha que guardámos neste pequeno espaço, conseguimos (até o mais cépticos) estabelecer uma ligação com a forma como em determinados momentos vivemos os nossos dias. Sobretudo aqueles em esvaziamos os bolsos ou a carteira e guardamos tudo sem pensar, sem nos apercebermos que estamos a escolher guardar lixo, indefinidamente, em nossa casa. Não o faria de forma consciente, pois não? O desafio é mesmo esse: ter consciência de todas as suas escolhas vai permitir-lhe conhecer melhor os seus valores e o que realmente o faz feliz.


2. Separe o que é de cada pessoa

Se não vive sozinho, é provável que encontre coisas que não são suas, ou que não se lembra de as ter guardado. Em caso de dúvida, não tome acção sobre o que pode não lhe pertencer, mesmo que lhe pareça lixo. Aproveite esta sua decisão para dar oportunidade a quem vive consigo de se confrontar também com as suas próprias escolhas. Arranje um saco, de preferência transparente, escreva o nome de cada pessoa (se souber a quem pertence o quê), e coloque como presente em cima da cama que lhe pertence, ou sirva como “aperitivo” ao jantar e façam um jogo do “de quem é o quê?”


3. Escolha o que é seu

Agora que já tirou do monte o que não é sua responsabilidade (ou, volto a frisar, aquilo que você julga não ser sua responsabilidade), separe por subcategorias e escolha. Papeis de multibanco, contas de restaurante, botões, pilhas, trocos, amostras, elásticos, clips, canetas e tampas são dos objectos mais comuns. Para todos eles, ou já há um local em vossa casa ou se não, está na altura de o criar. Partilho agora algumas dicas para alguns deles:

Papeis e contas: por defeito, é tudo lixo. Guarde apenas facturas para impostos na pasta onde as tem todas.

Botões: quantas vezes já usou um botão sobresselente na sua vida? Arrisco dizer que nunca e que não será este o primeiro. Lixo é a minha sugestão (reciclagem amarela)

Pilhas: normalmente ou estão usadas ou são metade dum pacote novo já aberto. Na dúvida, teste num comando de TV e aproveite para criar um local para todas as pilhas já gastas que mais tarde deverão ser depositadas num pilhão. Esta organização é um bom contributo seu para reduzir a sua pegada ecológica e assim contribuir para o bem-estar do planeta. As pilhas em bom estado também deverão ter um lugar próprio e distintos. Identifique com uma etiqueta para que ninguém os confunda.

Trocos: o dinheiro em espécies serve para pagar cafés, portagens e jornais fora de casa. Meta tudo na carteira e use-os.

Amostras: têm uma validade muito mais curta que os produtos comprados em embalagem normal. Se já não se lembra há quanto tempo as tem, deite fora. Se for recente, faça um furo com uma agulha e use-a nos próximos 5 dias para testar o novo produto. Com esse furo, não entra tanto ar dentro da embalagem, mantendo o produto em boas condições mais tempo, e conseguirá retirar as pequenas quantidades que precisa diariamente.

Elásticos, clips, canetas e tampas: excelente altura para reagrupar o economato familiar. Valide as condições de cada coisa, testando as canetas, identificando as tampas, vendo a ferrugem dos clips e força dos elásticos. O que estiver bom, junta-se aos restantes materiais idênticos.


4. Arranje pequenas divisórias

Agora que já seleccionou e arrumou tudo, vai perceber se continua a precisar de ter uma gaveta para “tralha”. O meu desejo sincero é que não, uma vez que tudo tem um lugar específico e “tralha” é sempre sinónimo de lixo. Pode acontecer, no entanto, precisar de criar espaços para novas subcategorias como sejam pilhas usadas ou papeis pendentes. Se assim for, recorde sempre esta regra, de enorme importância para que nada volte a ser a bagunça que era: use pequenas divisórias dentro da gaveta para que, sempre que abrir, tudo esteja visível e alcançável na hora.


Prontos para o primeiro desafio da vossa nova vida organizada?

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Lisboa, Portugal

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