• Rita Carvalho de Matos

Ioga e Organização: união para o bem-estar

Sou uma rookie no tapete de ioga. Mas nestes 14 dias de prática diária, tenho escutado e sentido muito tudo o que se passa dentro de mim. E finalmente percebi o motivo que me fez não gostar das minhas 3 experiências anteriores (soltas no tempo, em escolas diferentes) e afirmar, do alto da minha “sabedoria egoica”: “a ioga não é para mim. É muito parado.” A ioga é desconfortável para o espírito, isso sim! Faz nos ficar ali, por segundos (que às vezes parecem horas) a olhar e sentir as nossas fragilidades. Físicas, ao início. À medida que vamos abrindo os olhos, sem medo, percebemos que as fragilidades físicas não são mais do que a manifestação das nossas vulnerabilidades emocionais. E este “efeito espelho” não é fácil de acolher. E é exactamente isso que verifico em relação aos processos de organização que facilito. Não é fácil expor-nos ao caos das nossas decisões duma vida inteira. E nem todos estamos preparados para olhar para esse espelho. Mas podemos ir abrindo caminho se confiarmos que, em nenhum dos casos, ioga ou casa, há julgamento ou culpa…só transformação!



Tive vontade de escrever este texto porque desejo que te permita dar mais um pequeno passo na tua direção! Gosto tanto de partilhar o que me faz bem! A ideia de existir uma só pessoa a quem estas palavras façam toda a diferença, faz valer cada minuto que escrevo! E assim, duma forma simples e leve, aqui ficam 4 semelhanças que descobri entre a prática da ioga e a Organização Intencional.





1 – Não são acções isoladas nem pontuais, são um estilo de vida: levante o braço quem nunca se inscreveu no ginásio e desistiu ao fim de poucas semanas. Ou quem nunca decidiu arrumar a casa de vez, e voltou tudo à mesma? Devem ser das acções mais repetidas, e sem sucesso, a que quase todo o mundo ocidental se propõe. Ora tanto a ioga como uma vida organizada, não são acções que se executem pontualmente, ou por um curto período. Não se faz! É-se! É se iogue, é se organizado. E ao ser-se, abrimos espaço para transformações nas nossas relações (com os outros, connosco, com o nosso corpo), nos nossos hábitos (de alimentação, sono, exercício, de compras), nas nossas emoções e disposição para a vida.


2 – Há evolução na sua prática: em ambas, o início é desafiante. Podemos descobrir que não temos flexibilidade, ou sentir que nunca vamos conseguir deixar de ter um quarto dos arrumos caótico. Em nenhum dos casos, não há impossíveis. Primeiro, porque as metas são pessoais e podem ser ajustadas ao longo do caminho. Mas sobretudo, porque a consistência e o empenho dão frutos. Na perna que estica e no quarto que vai ficando mais leve. Praticar Ioga ou praticar organização intencional, é praticar o músculo do desapego. E sempre que expiramos profundamente ou deixamos ir algo que só ocupa espaço sem nos proporcionar uma boa emoção, avançamos um milímetro na nossa direção.


3 – Promovem Bem-estar Holístico: quando criei o conceito de “Organização Intencional”, não praticava ioga, e queria era estar bem longe dum tapete. Hoje percebo que não podia estar mais perto. O Ioga pode ser traduzida como "integração" e pode ser entendida como a união com o Divino, ou integração do corpo, mente e alma. Quando praticamos ioga, não estamos apenas a trabalhar o corpo. Estamos a cuidar do nosso bem-estar holístico! E assim é com a Organização Intencional. O primeiro passo é descobrirmos como nos relacionamos com cada tipo de objecto. Com que área do nosso ser interage cada categoria. Há objetos que são apenas mentais (os documentos são um bom exemplo, para a grande maioria), outros que nos fazem entrar em contacto com o nosso físico (a comida pode ser sentida, para muitos, desta forma) e há objectos que têm uma carga emocional gigante (fotografias são um dos melhores

exemplos). Há que reconhecer cada um destes campos e trabalhá-los passo a passo. Se quiseres descobrir mais sobre este mundo da Organização Intencional, convido-te a visitares o curso que criei em exclusivo para a plataforma kologica, clicando aqui.



4 – O autoconhecimento está na base: quando tomas consciência da tua unicidade, do talento único que trazes (pode ser tão simples como o teu sorriso que inspira quem o observa), deixas de viver neste mundo, para perceberes que fazes parte dele. Todos fazemos. Durante décadas, fomos convidados a não nos sentirmos especiais e fazermos tudo o que nos pedem. Ora, à medida que vais cultivando o autoconhecimento, a tua voz vai ganhando força e é de vozes fortes e assumidas que se conta a história de evolução da humanidade. A ioga traz-te autoconhecimento sobre o que passa no teu corpo, no silêncio da tua mente, e luz da tua alma. A organização faz-te descobrir as crenças que te aprisionam, e as oportunidades que tens ao voltar a escolher, por ti, livremente. Pessoas que se conhecem bem são luz para um mundo melhor e inspiração para quem se cruza com elas.


Sempre que expiro, profundamente, numa postura mais desafiante, como a Naukasana, postura do barco, descubro que afinal sou capaz de a manter, ao meu ritmo e confio que, por ser tão fisicamente desafiante para mim, é uma das que mais preciso de praticar para me curar. Esta postura, por exemplo, é superpoderosa a nível de benefícios: ajuda a fortalecer os pulmões (eu sou asmática), fígado e pâncreas. Permite aumentar a circulação sanguínea e manter o nível perfeito de açúcar (não tenho tido vontade de comer doces). Fortalece os músculos das coxas, quadris, pescoço e ombros e ajuda a reduzir a gordura da barriga (onde reside muita da nossa autoestima). Também melhora a função dos rins, glândulas tireoide e próstata. Uma simples postura traz tantos benefícios. Imagina uma prática diária. Tal como organizar uma gaveta nos permite sentir mais leveza, alegria imediata e a sensação do “sou capaz”. E uma vida organizada reduz o stress, permite-nos viver mais experiências prazerosas (porque descobrimos o que gostamos mais de fazer), e aumenta a nossa autoestima porque nos sentimos bem na nossa pele e no nosso espaço!


Num mundo te convida a ser espectador (redes sociais, notícias), escolhe olhar para dentro. Quem sabe, também para ti, a ioga e a organização sejam o que precisas. E quando te descobrires, e viveres a tua verdade, um mundo será um lugar melhor.

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