Lisboa, Portugal

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  • Rita Carvalho de Matos

"La Vita è Bella!"

Hoje não escrevo sobre organização…ou pelo menos directamente, porque na verdade, emoções são uma forma de organização do nosso interior. Escrevo para aliviar o peso do peito que tenho sentido, de vez em quando, na última semana (já estamos por casa, numa nova rotina há 9 dias… ou só estamos há 9 dias, nem sei). E escrevo porque quero prestar uma homenagem ao Guido, personagem italiana, inspiradora, do filme “La Vita è Bella!”.


Eu não sou alarmista. Sobretudo porque esta fase da vida, em que mergulhei há quase 2 anos, me ensinou a viver mesmo um dia de cada vez. Ensinou-me também a confiar e a largar o controlo. Não controlo nada. Ninguém controla nada. E se dúvidas existissem, cá estamos todos nós a viver o inimaginável, sem saber nada sobre o que aí vem, como e quando. Sem conhecer nada sobre uma Pandemia ou sobre o Covid19. Mas mesmo estando em paz com esta forma de viver sem planos a longo prazo e sem enormes expectativas, de vez em quando tenho medo. Tenho medo porque sei que ninguém me consegue dizer quando e como será uma vida mais livre novamente.


Faço parte do grupo (já sabem como gosto de dividir o mundo em grupos sobre cada tema) que acredita que a fé, o amor, a energia elevada, são as melhores formas de ultrapassarmos com aprendizagem isto tudo. O medo não é o caminho, nunca. O medo leva-nos para uma escuridão e um diálogo interno devastador. E mesmo tendo plena consciência disto, de vez em quando lá me apanha na sua teia. Com a ajuda da atenção plena, ganho consciência, afasto-me de mim e entrego-o dizendo lhe que não é para mim. Nessas alturas, repito para mim tantas vezes quanto as que me apetecerem um mantra que aprendi no maravilhoso curso que fiz de Mindfulness pouco antes de tudo isto começar:


Que eu seja Feliz!

Que eu tenha Saúde!

Que eu esteja em Paz!


E o Guido apareceu-me ontem, enquanto preparava a Pizza do Vicente e a nossa, porque desde há uns meses que Sexta feira é noite de “Pizza Night”! E ele adora o programa de comermos todos pizzas, na sala, a ver um filme, que ele escolhe. A vida mudou. Mas o Guido ensinou-me que podemos sempre fazer com que a vida seja muito mais bonita aos olhos dos nossos filhos.


“A vida é Bela!”, 1997, Vencedor dos Óscares para Melhor Filme em Lingua estrangeira, Melhor Música, e Melhor Actor Principal. Curiosamente, Roberto Benigni, italiano. A nossa Itália que perde vidas a uma velocidade alucinante.


Ontem, na cozinha, o Pedro, que reage a isto duma forma diferente da minha, tentou falar comigo sobre a próxima ida às compras. E eu, de repente, sai de mim e pedi-lhe para parar. Disse-lhe que percebia as suas preocupações e até a sua visão tão premonitória (foi por ele que não voámos para Milão a 13/2, optando por ir para o Alentejo), mas eu quero manter a fé e a força do Guido no meu coração. Enquanto eu puder, a minha prioridade será cuidar de mim para poder proporcionar ao Vicente uma vida o mais normal e leve possível. Ele tem 4 anos. Começa agora a guardar memórias conscientes. Poder contribuir para que todos os dias em que não há escola, em que o “bichinho” está lá fora e nos impede de sair, sejam dias felizes, cheios de amor dos pais, cheios de brincadeiras, de tempo sem pressas, de novas rotinas como falar com os avós Via Skype sem os abraçar, de velhas rotinas como a Pizza Night ou as panquecas ao Sábado de manhã, é a minha escolha. Vê-lo ocupado a brincar sozinho, a querer ajudar-me a limpar a casa, a descobrir cada cantinho da nossa casa com novos olhos, é onde vou buscar muita da minha força.


Ao contrário do Guido, vamos todos ficar bem. Vai haver futuro. E eu quero aprender com tudo o que nos está a acontecer. Eu escolho o amor…por mim, pelo meu filho, pelo Guido.

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