• Rita Carvalho de Matos

Um brinde às escolhas felizes!

Chegou! Entrámos em 2020. Um ano tão falado e redondinho, que deu nome a tantos projectos, como o famoso Portugal2020.

Desejo a todos os que me seguem por aqui um ano cheio de boas escolhas. Daquelas que mesmo que doam, sabemos que nos fazem crescer e avançar.

Agradeço a todos os que se foram juntando a esta “minha” pequena comunidade porque me foram conhecendo pelas redes sociais, por recomendação ou em boas conversas que fui tendo por aí.

Este blog foi criado com o objectivo de me dar espaço para fazer uma das coisas que mais adoro fazer: escrever. Já lá vão muitos anos desde o meu primeiro blog. Deixei de o escrever em 2009, no dia em que me decidi separar do meu, agora, ex-marido. Criámo-lo juntos no dia em que ele começou a sua aventura na Comissão Europeia. Era uma boa forma para partilharmos o que eu fazia em Lisboa e o que ele ia fazendo e descobrindo em Bruxelas e depois na Irlanda. Com a nossa separação, o blog ficou só para ele e eu fui escrevendo para mim, em cadernos. A escrita começou a ser apenas uma forma de desabafar. Escrevia quando estava triste e como a minha relação seguinte foi uma relação cheia de anulação pessoal, escrevi muito. Até que houve um dia que decidi reler algumas das coisas que tinha escrito e fiquei assustada com a energia das emoções que li. Senti que eram fotografias de momentos, mas não um espelho de quem eu era. Nesse dia, decidi rasgar e queimar todos. Para além de serem tristes, crus e duros, passavam uma imagem duma vida de sofrimento que eu não reconhecia como minha. Quando o fiz, muito pouco tempo depois, a relação terminou. Tal como se o rasgar das emoções tristes e dolorosas me tivessem libertado duma prisão. Quando começou a minha relação com o Pedro recomecei a escrever num caderno novo, de capa branca, e de forma leve. Há medida que o tempo foi avançando, e nos fomos conhecendo (éramos completos estranhos), algumas desilusões e tristezas foram aparecendo e sabia me bem escrever para desabafar comigo. Mas não tinham o mesmo sabor amargo. A tristeza, a dor, a solidão são sentimentos que fazem parte da nossa vida e que nos dão sinais maravilhosos de evolução sobretudo quando temos a capacidade de os transformar em Amor. A escrita tinha passado então a ter uma função de procura de respostas a esses sinais. Como se à medida que eu fosse escrevendo, fosse descobrindo o caminho. E depois, chegou o Vicente e com ele uma nova Rita, sem tempo e vontade para escrever. Confesso que só recomecei a recuperar muitas das coisas que gostava de fazer quando ele fez 2,5 anos. O seu ganho de autonomia fazia-me regressar a mim um bocadinho mais todos os dias. E agora aqui estou eu. A viver uma vida completamente nova, sem enredo, sem rede, com escolhas diárias que abrem e fecham portas e janelas e a escrever, num novo blog, só meu.

Embora o tenha criado no Verão com o intuito de aqui partilhar as minhas ideias sobre organização, filosofia de vida, simplicidade, descobertas, e tantas outras coisas duma forma bastante regular, outro projecto entrou e “roubou” o meu tempo de escrita de lazer. Sugou toda a minha inspiração. Agora que já está na fase final, e com o início do famoso 2020, quero mesmo vir aqui e escrever, por amor, com amor, para mim e para quem me quiser ler. Descobrir o que gostamos mesmo de fazer, seja em lazer ou profissionalmente, é uma capacidade que nem todos temos. Eu demorei os meus primeiros 42 anos a perceber o que me fazia feliz, que me dava ânimo e vontade de fazer mais. É muito tempo sem saber. Foi assim que me apaixonei pelo método criado pela Marie Kondo. Pela atenção que ela me fez ter sobre o que realmente me faz feliz. Sou prova viva que este caminho de auto conhecimento para uma geração habituada a não questionar e a seguir regras é um caminho duro. A incerteza, as dúvidas, a incapacidade de estar só connosco, são momentos muito difíceis que facilmente nos fazem querer deitar a toalha ao chão. É muito doloroso não reconhecer as emoções, a voz da intuição, não saber separar o coração do ego. É preciso muita prática e muitas tentativas e mesmo assim nunca se tem a certeza.

Eu, que não gosto de todas as celebrações obrigatórias dos Finais de Ano, reconheço a sua importância pelo significado que tem e tento, sempre que sou capaz, lembrar me e sentir que todos os dias podem ser dia 1 de Janeiro. E hoje, dia 2 de calendário, foi um novo dia 1/01, em que consegui sentir a força interior do nosso poder pessoal, com pequenos passos simples, mas importantes, que me fizeram feliz. Uma delas foi chegar aqui e fazer o meu primeiro artigo de raiz para o Blog. Foi chegar até ti neste recomeço. Foi aceitar que escrever me faz feliz. É uma escolha.

Obrigada!

Rita


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Lisboa, Portugal

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