• Rita Carvalho de Matos

O perigoso Ciclo da Tralha


Tudo começa com um simples "deixa aí que eu depois arrumo". E eu não estaria aqui a escrever sobre isto se, de facto, a grande parte de nós, depois arrumasse mesmo no sítio certo e pensado para arrumar aquele tipo de objecto.


Mas, na verdade, quando nos sentimos cheios de coisas para fazer durante o dia de trabalho, arrumar o que vai ficando fora do lugar parece não ser prioritário. O que quero partilhar contigo hoje é o porquê destes 15 segundos que investes em arrumar logo determinado objecto, papel, ficheiro no seu lugar serem cruciais para que nunca fiques refém do Ciclo da Tralha.


Passo 1: sempre que te permites, que escolhes trabalhar numa secretária, num escritório que tem lixo ou tralha bem visível, estás, de forma inconsciente, a afectar negativamente a alegria no trabalho que estás a desenvolver. É fácil perceber o porquê. Basta imaginar que irás precisar dum espaço para escrever e vais ter de afastar um monte de coisas que nem te lembras o que são, ou que vais precisar de encontrar determinada informação e não sabes onde está, seja no meio da papelada, num desktop bem confuso ou numa caixa de email caótica. Todos estes momentos, desagradáveis, vão provocar um corte no teu raciocínio, na tua inspiração. E acredita que cada interrupção que temos, dependendo do tempo e energia que lhe dedicamos, pode custar-nos 26 minutos extra a retomar a concentração total que já tínhamos atingido.


Passo 2: o nosso cérebro processa muito mais do que conseguimos imaginar. Já te deste conta de momentos em que estás a fazer alguma coisa e, de repente, algum movimento, num aparente anglo morto, te distrai. A tua atenção está numa tarefa mas o teu cérebro está em tudo o que te rodeia. Este é um dos benefícios aclamados pelos minimalistas. Poucas coisas, tons claros, exigem menos de ti. E claro que , sem dares por isso, o teu cérebro se distrai e se cansa com tantas solicitações de objectos, desarrumados à sua volta.


Passo 3: a consequência deste cansaço? A tua perda, progressiva, de interesse e de capacidade de escolha do que te faz feliz, do que é essencial para ti. Por outras palavras, é a partir daqui que começas a ligar o piloto automático para coisas importantes. Faço esta diferenciação, porque há decisões na nossa vida em que este automatismo pode ser importante para nos fazer ganhar tempo para as decisões que realmente precisam do nosso foco. Dou-te um exemplo pessoal: criei uma "farda" para os dias de sessões. Desta forma, automática, liberto a minha energia para me dedicar a preparar o que é importante e não a pensar no que irei vestir.


Passo 4: e quando perdes a capacidade de escolher o que é importante para ti, esqueceste que o teu trabalho tem um objectivo: a tua realização pessoal. Perdes o amor pelo que fazes e provavelmente começas a tornar-te num "musgo organizacional", ou seja, alguém que está lá, que cumpre, sem paixão, o básico, que já não tem ambições, desafios pessoais, sonhos e que tem muitas queixas... Lembra-te: as pedras que se mexem não ganham musgo.


E continuas a acumular tralha porque já nada te importa, voltando ao passo 1. Agora, a boa notícia, é que mesmo que sintas que estás a entrar nalguma fase que aqui descrevi ou que estejas, em cheio, preso/a neste ciclo, o desafio da Organizaçáo do teu espaço de trabalho é uma forma incrível de te fazer voltar a ganhar controlo e amor por ti, pelos teus sonhos e de te pôr novamente no seu encalço, dando a todos, e sobretudo a ti, o teu melhor.



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